(...) ela ficou curiosa para ver, no fundo, atrás da divisória de carvalho, o grande alambique de cobre avermelhado, que funcionava sob a telha de vidro claro do pequeno pátio; o funileiro, que a tinha seguido, explicou-lhe como aquilo funcionava, indicando com o dedo as diferentes peças do aparelho, mostrando a enorme cucúrbita de onde caía um filete límpido de álcool. O alambique, com seus recipientes de forma estranha, suas espirais e tubos sem fim, tinha um aspecto sombrio, nenhum vapor lhe escapava; mal se ouvia um alento interior, um ressonar subterrâneo; era como se uma tarefa da noite fosse realizada em pleno dia, por um trabalhador taciturno, vigoroso e mudo. (...) O alambique, surdamente, sem uma chama, sem uma alegria nos reflexos apagados de seus cobres, prosseguia, deixava correr seu suor de álcool, semelhante a uma fonte lenta e obstinada que ao longo do tempo devia invadir a sala, se espraiar pelos bulevares exteriores, inundar o buraco imenso de Paris.
Authors

Émile Zola

Publishing
EDUEL (November 6, 2019)
Language
French
Identifiers
  • ISBN: 8530200411
  • ISBN13: 9788530200411
Page count
468
Abstract
(...) ela ficou curiosa para ver, no fundo, atrás da divisória de carvalho, o grande alambique de cobre avermelhado, que funcionava sob a telha de vidro claro do pequeno pátio; o funileiro, que a tinha seguido, explicou-lhe como aquilo funcionava, indicando com o dedo as diferentes peças do aparelho, mostrando a enorme cucúrbita de onde caía um filete límpido de álcool. O alambique, com seus recipientes de forma estranha, suas espirais e tubos sem fim, tinha um aspecto sombrio, nenhum vapor lhe escapava; mal se ouvia um alento interior, um ressonar subterrâneo; era como se uma tarefa da noite fosse realizada em pleno dia, por um trabalhador taciturno, vigoroso e mudo. (...) O alambique, surdamente, sem uma chama, sem uma alegria nos reflexos apagados de seus cobres, prosseguia, deixava correr seu suor de álcool, semelhante a uma fonte lenta e obstinada que ao longo do tempo devia invadir a sala, se espraiar pelos bulevares exteriores, inundar o buraco imenso de Paris.

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